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Certa vez, a
leitura de um artigo do
conceituado professor de medicina
Joaquim Martins nos alertou para
a falibilidade dos Dicionários
da Língua Portuguesa. Dizia o
conceituado mestre: "ao
verbete rim, no
dicionário do Aurélio Buarque,
é atribuída a única função
de produzir urina, quando sabemos
que além da urina, os rins
produzem hormônios que dentre
outras funções, auxiliam na
regulação da pressão
arterial".
O
alerta nos motivou a realizar uma
pesquisa, inacabada, intitulada:
"Análise dos verbetes
médicos constantes dos
minidicionários da Língua
Portuguesa".
Resultados
preliminares da pesquisa
supracitada atestam que o
problema levantado pelo Dr.
Martins era procedente. Os
verbetes abreugrafia,
adolescência, ambulatório,
amígdala, angina, anti-sepsia,
bicho-do-pé, bouba, carbúnculo,
cólon, coma diabetes, tireóide,
dentre outros, necessitam de uma
atualização.
O
nosso objetivo é, mais uma vez,
alertar os leitores/internautas
que os dicionários, como
qualquer escrito humano, é
factível de erros e
imprecisões. Não é um
repositório inquestionável do
saber.
Para
finalizar, ilustrarei os
arrazoados supra com um exemplo:
SUPERCÍLIO
É SINÔNIMO DE SOBRANCELHAS?
Nos
dicionários o verbete
SUPERCÍLIO é consignado como
sinônimo, inclusive fazendo a
remissão, de SOBRANCELHA. Já
sobrancelha é definida como
pêlos na arcada orbitária
superior.
Ora
decididamente não são
sinônimos. Usando a máxima de
que contra fatos não há
argumentos, apresentaremos a
fundamentação para a assertiva.
O
próprio uso popular discrimina
os dois termos. Os amantes do
futebol e da luta de box sabem o
que é cortar o SUPERCÍLIO. O
corte produz sangramento que
muitas vezes precisa de uma
sutura (dar pontos). Por outro
lado, os barbeiros (cabelereiros
e não insetos) invariavelmente
cortam as SOBRANCELHAS dos
clientes. O corte produz
sangramento? Claro que não.
Resumindo:
SOBRANCELHAS, assim como os
cabelos, são tipos de PÊLOS,
estruturas destituída de vasos
sanguineos, logo não sangram.
SUPERCÍLIO é o nome da região
do corpo humano localizada na
parte superior das órbitas,
revestidas superficialmente por
pele, logo vascularizada, e
factível de sangramento. Espero
tê-los convencido!
A
bem da verdade, até o ano de
1990, eu "pensava"
igual aos dicionaristas, quando o
eminente professor Roosevelt de
Carvalho Wanderley, então
docente da disciplina de
Neurogenética do Mestrado em
Genética da UFPB, tirou
"uns pontinhos" da
minha prova justamente por ter trocado
supercílio por sobrancelha.
Na
revisão da prova, "deu uma
senhora aula" sobre as
diferenças entre os dois
vocábulos que estou
retransmitindo de graça para
vocês. Obrigado mestre! Aliás,
o pediatra Roosevelt é também
autor de muitos macetes em
medicina! Publique-os professor!
P.
S.: em breve, traremos um
comentário sobre o verbete
"garganta"
Um
abraço!
Prof.
Eurípedes.
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