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Há
alguns anos, os livros didáticos
tem-se mostrado cada vez mais
complexos, trazendo em seus
conteúdos uma grande quantidade
de informações, tentando
esgotar ao máximo os assuntos
referentes a cada disciplina. Com
isso, os livros tem sido um
caminho bastante explorado por
estudantes e professores na
ânsia de suprirem suas
necessidades de conhecimentos. E
será através dessas
informações que lhes foram
transmitidas, que o estudante
tentará chegar a profissão
escolhida. Mas, até que ponto
pode-se confiar nas informações
passadas pelos autores de um
livro?
O professor do curso de medicina
da UFPB Eurípedes Sebastião
Mendonça de Souza, levantou esse
questionamento quando, em 1994,
publicou uma pesquisa inédita
sobre os erros no conteúdo de
reprodução humana inseridos nos
livros de biologia do ensino
médio. O levantamento demonstrou
a presença de 245 erros em
apenas 9 livros de biologia.
No momento, o professor está
reeditando a pesquisa incentivado
pelo questionamento dos colegas
de profissão sobre qual o melhor
livro didático de biologia.
Analisando o livro de biologia de
Amabis & Martho, volume 2,
edição 1999, da editora
moderna, o professor detectou a
presença de 100 erros nos quais
ele classifica como: erros
crassos (grosseiros), erros
conceituais, erros na
elaboração das ilustrações,
desatualização, omissões,
inobservância da ética e
persistência de erros. Para
Eurípedes Sebastião, um dos
erros mais graves encontrados no
livro, é quando os autores
afirmam que: "O embrião se
comunica com a placenta através
de um cordão revestido de pele,
o cordão umbilical", ele
retifica dizendo que a pele não
recobre o cordão umbilical.
Segundo o professor, o livro de
Amabis & Martho, é uma
referência no ensino médio,
pois tem uma publicação bem
elaborada, ilustrada e marcada
pela experiência de décadas dos
autores na produção de textos
didáticos e lembra que: "Em
qualquer publicação existe a
possibilidade de falhas, o que
não desmerece o seu inestimável
valor, dada às suas
peculiaridades."
* Repórter
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JORNAL
CORREIO DA PARAÍBA
Domingo,
26 de março de 2000
A
educação brasileira vai mal. Culpa da grade
curricular, sistema de educação implantado pelo
governo federal ou uma série de falhas juntas?
Nas
teses defendidas e discutidas em grandes eventos
de educação pouco se questiona o conteúdo das
centenas de publicações dos livros didáticos
reeditados que chegam nas salas de aula a cada
ano, movimentando um dos mais vantajosos mercados
do país.
Sem
garantias
Quem
garante que os erros mais absurdos não continuam
fazendo parte dos livros mais consumidos por
alunos de escolas públicas e particulares?
O
professor Eurípedes Sebastião Mendonça de
Souza, do Departamento de Medicina Interna da
UFPB, resolveu fazer uma revisão do trabalho que
ele vem realizando desde 1993, sobre os erros e
omissões dos livros didáticos de biologia
utilizados no ensino médio. No total de oito
livros pesquisados, três revisões já foram
concluídas até agora e muitos erros e
desatualizações permanecem.
Ampliação
O
professor, dessa vez, ampliou a pesquisa feita em
1993, aumentando o leque de análise além do
capítulo de reprodução humana, para capítulos
de fisiologia humana, histologia, macrobiologia,
entre outros.
Apenas
no volume dois do livro Curso Básico de
Biologia, dos biólogos José. M. Amabis e Martho
- um dos mais vendidos no país, publicado pela
Editora Moderna - foram detectados100 erros,
alguns crassos.
"O
livro é uma referência no ensino médio, mas
por outro lado, a negligência e o desleixo e a
ânsia do lucro, comprometem a qualidade do
padrão editorial. Identifique erros crassos
como, por exemplo, que o cordão umbilical é
revestido de pele. Decididamente é um erro,
porque o cordão é formado por uma membrana fina
formada pelo epitélio aminiótico", disse.
Alunos
desinformados
O
professor Eurípedes Souza resolveu entrar no
mundo das revisões após enfrentar alguns anos
de dispersão e relapsia dos alunos nas salas de
aula. Informações básicas "Quando comecei
a dar aulas observava que os alunos tinham grande
despreparo cognitivo, informações que deveriam
ser aprendidas durante o ensino médio. Um
exemplo básico, era de um aluno do 1º período
de medicina que dizia afirmava que a cauda do
espermatozóide não entrava no óvulo. Um erro
crasso que continua sendo publicado no livro de
Amabis", afirma.
40
erros
O
segundo livro pesquisado "Biologia", do
autor Wilson Paulino, engenheiro-agrônomo e
professor licenciado em Biologia, foram
constatados 40 erros. Já a pesquisa do último
livro, do autor José Luís Soares, médico e
biólogo, 60 erros nas publicações dos volumes
I e II deste ano estão à venda nas livrarias.
"Soares dá informações equivocadas sobre
vários assuntos. Por exemplo, sobre fibras
nervosas, afirmando que são prolongamentos de
axônios e dendritos. Na verdade, as fibras
nervosas não são constituídas por dendritos e
por aí vão os erros. O objetivo principal deste
trabalho é analisar o conteúdo programático de
Biologia, verificando a existência de erros de
conteúdo e omissões que possam prejudicar o
processo de ensino-aprendizagem da
Biologia", conta .
Retificações
Segundo
o professor, muitas retificações e trabalhos
inteiros, incluído as correções e erratas,
foram encaminhadas as editoras responsáveis
pelas publicações, mas recebeu pouca atenção.
Algumas editoras responderam, mas deixaram a
cargo dos autores, que não enviaram resposta ao
trabalho do professor. "Infelizmente a
estrutura comercial não permite que inserções
como estas sejam aprovadas, porque os aumentariam
os custos. O Ministério da Educação recebeu o
material, mas também não emitiu posicionamento
e quantos aos autores, eles renegaram as
sugestões", finaliza.
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REPÓRTER DO JORNAL CORREIO DA PARAÍBA
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